MILLENIUM – OS HOMENS QUE NÃO AMAVAM AS MULHERES é o filme de investigação policial que há muito o cinema americano não vê surgir. Baseado na trilogia sueca que virou best-seller (país que já viu os três filmes serem adaptados por lá e apenas o primeiro teve êxito mundial), o filme coloca dois protagonistas de personalidades distintas – o jornalista Mikael Blomkvist e a hacker Lisbeth Salander – em uma busca que envolve um poderoso magnata sueco e uma tradicional família do lugar. O primeiro tem sua vida revirada pela jovem – a garota da tatuagem de dragão do título original – a pedido do anfitrião de uma poderosa família de uma cidade do interior da Suécia, que contrata o jornalista para investigar o sumiço de sua sobrinha, acontecido há 40 anos. Quando o desenrolar da história começa a se tornar mais complicado do que aparenta, Blomkvist traz a perspicaz Lisbeth para auxilia-lo no desfecho dos fatos. O diretor David Fincher trabalha com sua narrativa clássica, criando uma interessante estrutura que junta os protagonistas Daniel Craig e Rooney Mara logo no princípio do filme para depois separa-los (momento em que o filme caminha com as primeiras informações da investigação policial e na explicação sobre o passado de Lisbeth) para depois uni-los novamente. Fincher imprime um fôlego impressionante ao filme nessa terceira parte – que corresponde a cerca de 60% da fita –, colocando o espectador na mesma ciranda de perguntas e respostas que os protagonistas fazem à trama, cheia de pistas suaves e nunca gratuitas ou fáceis que caminham para um final pouco provável; como se não bastasse, dá à sua protagonista feminina a chance de brilhar em uma personagem cheia de nuances cuja complexidade vai muito além do exótico visual que a acompanha. Os únicos dois pontos frágeis dessa primeira parte da trilogia MILLENIUM são justamente o contraponto masculino de Rooney: em praticamente nenhum momento Daniel Craig corresponde à sua colega em cena, com uma atuação bem abaixo do esperado, o que causa certo incômodo principalmente quando o filme separa os dois personagens – a história pessoal de Lisbeth é infinitamente mais interessante que o início da investigação de Blomkvist, o que é um problema para um filme cujo primeiro objetivo é a investigação policial. De qualquer forma, o resultado final é nada menos do que um filmaço obrigatório.
Cotação: ●●●●½○








